terça-feira, 24 out 2023
Chamamos de imunização o procedimento médico por meio do qual uma pessoa se torna imune ou resistente a uma doença infecciosa, geralmente pela administração de uma vacina.1
As vacinas funcionam estimulando nosso próprio sistema imunológico a nos proteger contra doenças infecciosas, por meio da produção de anticorpos. Os anticorpos são proteínas altamente específicas, capazes de neutralizar os vírus ou bactérias ou suas toxinas causadoras de doença tão logo entram em contato conosco.2
A imunização comprovadamente evita doenças, complicações e mortes por enfermidades preveníeis como difteria, hepatite B, sarampo, caxumba, coqueluche, poliomielite, doenças diarreicas por rotavírus, COVID-19, rubéola e tétano.1
Mais do que prevenir, o sucesso das campanhas de vacinação contra a varíola nos anos sessenta mostrou pela primeira vez que a vacinação em massa tinha o potencial de erradicar doenças. Os últimos casos dessa doença no Brasil e no mundo foram notificados em 1971 e em 1977 (o último na Somália).
Após a erradicação da varíola, tivemos no Brasil, em 1980, a 1ª Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite, com a meta de vacinar todas as crianças menores de 5 anos em um só dia. O último caso de poliomielite no Brasil foi registrado em março de 1989. Em setembro de 1994, o Brasil e os demais países das Américas receberam o certificado de erradicação desta doença no continente.3
No Brasil, por determinação do Ministério da Saúde, em 1973, foi idealizado o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com o objetivo de coordenar as ações de imunização, as quais eram, até então, marcadas por descontinuidades e pela reduzida área de cobertura das campanhas. A criação do PNI contou com a participação de renomados sanitaristas, infectologistas e representantes de diversas instituições da nossa sociedade.
Em 1975, o Programa foi implementado e continua presente nas políticas de saúde do Brasil até os dias de hoje, contribuindo para a melhor qualidade de vida da população. Assim como em outros países, o Calendário Nacional de Vacinação brasileiro contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas.
No total, são disponibilizadas na rotina de imunização 19 vacinas, cuja proteção inicia-se ainda nos recém-nascidos e se estende por toda a vida.3

Todas as vacinas aprovadas por entidades reguladoras são submetidas a testes rigorosos ao longo das diferentes fases de ensaios clínicos e continuam sendo
avaliadas regularmente durante sua comercialização, fase na qual os cientistas monitoram informações de várias fontes em busca de qualquer sinal de eventos adversos.
A maioria das reações é leve e transitória como dor no local da injeção ou febre baixa. Efeitos colaterais raros e graves são notificados e investigados com rigor.1
As vacinas produzem uma resposta imunitária similar àquela desencadeada por infecções naturais, mas sem causar adoecimento e sem colocar o imunizado em risco de sofrer as possíveis complicações daquela doença.
Além disso, as consequências da imunização por meio da infecção natural podem consistir em danos congênitos (no bebê, antes do nascimento) no caso de mães infectadas por rubéola, paralisia permanente na poliomielite, câncer hepático na hepatite B, câncer de colo do útero relacionado ao HPV, ou morte por complicações relacionadas ao sarampo ou à influenza (gripe), citando alguns exemplos.1
Embora a maioria das doenças preveníveis por vacinas sejam raras em muitos países, seus agentes infecciosos causadores seguem em circulação. Em nosso atual mundo globalizado, esses agentes podem facilmente cruzar fronteiras geográficas e infectar qualquer pessoa que não esteja imunizada. Por esse motivo, recomenda-se fortemente a continuidade das ações de imunização contra doenças há muito tempo erradicadas em nosso país.1
Apesar do êxito documentado das vacinas ao redor do mundo e no Brasil, temos visto quedas importantes nas coberturas vacinais para várias doenças, sobretudo em crianças.4 Essas quedas se devem principalmente à disseminação de notícias falsas e ao desconhecimento de uma parcela da população sobre os benefícios da vacinação, bem como dos riscos importantes a que estão sujeitos os não imunizados.
Por isso, é muito importante manter a carteira de vacinação atualizada e buscar mais informações e respostas às dúvidas no serviço de saúde mais próximo. A manutenção das taxas de vacinação em níveis adequados é responsabilidade de todos e é essencial para a saúde da comunidade onde vivemos.
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BR-26634 Material destinado a todos os públicos .Out/2023